sábado, 27 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
sábado, 29 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Wyoming - about travelers and hounds
Should never have introduced her to him.
He was small, black and shiny with wavy hair.
He had a happy and easygoing character, a freedom of spirit, a passion for discovery.
He was the lightest of the puppies, and had the most expressive eyes among them.
He was a weird boy, the most fragile of them, and had the most expressive eyes all the same.
Hounds perish in place of their owners. Less boy and more man than before, he realized in the sunny desert of the mountains that his hound was already old. It would have crossed anyone's mind - or at least any mind as singular as that one - that his suffering made it grow older.
Boy, oh boy. Should never have introduced her to him.
He was small, black and shiny with wavy hair.
He had a happy and easygoing character, a freedom of spirit, a passion for discovery.
He was the lightest of the puppies, and had the most expressive eyes among them.
He was a weird boy, the most fragile of them, and had the most expressive eyes all the same.
Hounds perish in place of their owners. Less boy and more man than before, he realized in the sunny desert of the mountains that his hound was already old. It would have crossed anyone's mind - or at least any mind as singular as that one - that his suffering made it grow older.
Boy, oh boy. Should never have introduced her to him.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Celofane
É tudo cheiro, substancia viscosa, imagem desconexa.
Como um demônio qualquer do folclore fico a deriva esperando um convite que me permita entrar, uma lembrança de minha presença que me permita existir.
Não há.
E não há em mim a auto-suficiência dos seres vivos.
Não existo por mim só, não vivo sem uma imagem minha cultuada pelos tribais.
Pulo de estado em estado, de banalidade em banalidade, coletando um ou outro pequeno prazer que me permita inspirar um pouco de ar para dentro dos meus pulmões cadavéricos.
Pinto minhas imagens do lado de fora do que as pessoas chamam viver.
Estou aqui, mas preciso ser chamado para ser perceptível.
Se cai uma árvore na floresta, e ninguém está lá para ver, ela realmente caiu?
Se há alguém no quarto e ninguém se dá conta da sua presença, essa pessoa está mesmo lá?
Talvez pense tanto sobre eu mesmo, escreva tanto sobre eu mesmo, mergulhe tanto nessa autofagia sanguinolenta para estender a existência de quem já não é.
Eu.
Como um demônio qualquer do folclore fico a deriva esperando um convite que me permita entrar, uma lembrança de minha presença que me permita existir.
Não há.
E não há em mim a auto-suficiência dos seres vivos.
Não existo por mim só, não vivo sem uma imagem minha cultuada pelos tribais.
Pulo de estado em estado, de banalidade em banalidade, coletando um ou outro pequeno prazer que me permita inspirar um pouco de ar para dentro dos meus pulmões cadavéricos.
Pinto minhas imagens do lado de fora do que as pessoas chamam viver.
Estou aqui, mas preciso ser chamado para ser perceptível.
Se cai uma árvore na floresta, e ninguém está lá para ver, ela realmente caiu?
Se há alguém no quarto e ninguém se dá conta da sua presença, essa pessoa está mesmo lá?
Talvez pense tanto sobre eu mesmo, escreva tanto sobre eu mesmo, mergulhe tanto nessa autofagia sanguinolenta para estender a existência de quem já não é.
Eu.
domingo, 14 de abril de 2013
Silêncio
Queria, gostava, corria sorrindo e chorando quase que ao mesmo tempo para o braços da morte. Se calava em meio a multidão e podia ouvir ao Grim Reaper sussurando suas palavras doces. Era poeta, nasceu poeta, e como todo poeta brotou da morte e da escuridão. Esaú - nasceu completo. O ciclo completo se fecha na morte. Nasceu morto em uma cidade fantasma, de árvores de folhas vermelhas, que flutuava apenas em sua imaginação em meio a serração que brota do lago.
Há dois tipos de pessoas no mundo: os músicos e os dançarinos. Nasci morto, me contorcendo e dançando. A morte dança suavemente e comunica tudo, mas nada é capaz de ouvir. A maioria, os músicos, escutam e gritam suas notas. Esses vivem, mas percebem e apreendem tão pouco do seu redor que nada mais têm do que uma meia vida pulsante.
A Terra, os Deuses e os Povos nasceram de uma melodia tocada pelas mãos de um tribal qualquer. Aprendi em forma de mitologia com a mãe Terra o que de fato já nasci sabendo: as mãos criam, os pés destróem. Danço sobre as folhas secas, chuto o ar, giro os tornozelos, estalo e quebro os ossos do sustento do peso e da graciosidade, destruo tudo quanto posso do mundo através dessa observação infantil e inata. Nasci, como alguns outros poucos, morto. Caminhei, corri e me contorci rente ao chão tantas vezes, como alguns poucos outros, em direção a morte. Nunca percebi isso até o momento, mas o abraçar da morte é que me fez capaz de viver.
Não sei tocar nenhum instrumento. Me fascina o piano, assim como me fascina a vida. Entretanto, pulsa em mim a percursão, pois esta prescinde dos timpanos ou dos óssiculos. Sinto a vibração na terra, na Terra, pela ponta dos dedos adormecidos do pé certo e do pé quebrado. De fato quebrei-o esquecendo que devo dançar e morrer, em lugar de cantar e viver.
Esaú - nasci completo. Completo e morto. Não tenho irmão mais novo que venha a me traír. Não tenho pai senil que venha a me discriminar. Nasci completo. Tenho irmã mais velha que me entende, interpreta e ama os movimentos. Tenho pai astuto que me aponta os perigos por baixo das folhas secas. Tenho mãe que não é Rebecca, e que é suporte em lugar de desilusão. Esaú, nasci completo, e diferente do ingênuo Esaú que nasceu completo em outrora. Nasci completo como o nome manda em tua raíz, afinal brotei mesmo bem de perto da raíz podre da árvore da vida. Brotei morto, e me dá orgulho isso. Eu não sou parte da terra dos vivos, e eu tenho orgulho disso. Eu não faço parte dessa podridão asquerosa.
Quero morrer. É uma vontade calma e tranquila da qual eu sempre estive ciente. Agora, contudo, entendo que é essa vontade que me coloca em pé, e foi a perda dessa vontade que me levou ao chão. Aceito hoje que estou morto, e apenas por isso posso me ocupar calmamente de tudo quanto me dê prazer, de qualquer beleza gentil.
Danço. Os pés destróem e eu danço, e não importa que destrua nada desde que tranforme essa fumaça em alguma coisa bonita e desproposital. Nada construo, pois como um lobo tenho apenas pés. Como um lobo nasci completo, e esse anseio por uma cria e por um carinho ou por um toque é tudo fruto da admiração que tenho pela vida. Sou morto, nasci morto, e vendo o direito a vida plena por um pote de lentilhas. Não me importa que não durarão para sempre, desde que esses momentos de quase-vida intercalados me tragam algum prazer.
Esqueci por tempo demais que sou uma máquina romântica e anti-poética. Disse tanto que romanticos morrem aos vinte e um para justificar meu lirismo ignorado, mas morri aos 9 meses. Morri chorando, e por isso sigo chorando. Não sou nada, e só isso é capaz de unificar o que eu sou em algo que faça sentido. Meu mundo é silêncio dançante, é cheiro e sabor, é fala reprimida, é queda do abismo.
Há dois tipos de pessoas no mundo: os músicos e os dançarinos. Nasci morto, me contorcendo e dançando. A morte dança suavemente e comunica tudo, mas nada é capaz de ouvir. A maioria, os músicos, escutam e gritam suas notas. Esses vivem, mas percebem e apreendem tão pouco do seu redor que nada mais têm do que uma meia vida pulsante.
A Terra, os Deuses e os Povos nasceram de uma melodia tocada pelas mãos de um tribal qualquer. Aprendi em forma de mitologia com a mãe Terra o que de fato já nasci sabendo: as mãos criam, os pés destróem. Danço sobre as folhas secas, chuto o ar, giro os tornozelos, estalo e quebro os ossos do sustento do peso e da graciosidade, destruo tudo quanto posso do mundo através dessa observação infantil e inata. Nasci, como alguns outros poucos, morto. Caminhei, corri e me contorci rente ao chão tantas vezes, como alguns poucos outros, em direção a morte. Nunca percebi isso até o momento, mas o abraçar da morte é que me fez capaz de viver.
Não sei tocar nenhum instrumento. Me fascina o piano, assim como me fascina a vida. Entretanto, pulsa em mim a percursão, pois esta prescinde dos timpanos ou dos óssiculos. Sinto a vibração na terra, na Terra, pela ponta dos dedos adormecidos do pé certo e do pé quebrado. De fato quebrei-o esquecendo que devo dançar e morrer, em lugar de cantar e viver.
Esaú - nasci completo. Completo e morto. Não tenho irmão mais novo que venha a me traír. Não tenho pai senil que venha a me discriminar. Nasci completo. Tenho irmã mais velha que me entende, interpreta e ama os movimentos. Tenho pai astuto que me aponta os perigos por baixo das folhas secas. Tenho mãe que não é Rebecca, e que é suporte em lugar de desilusão. Esaú, nasci completo, e diferente do ingênuo Esaú que nasceu completo em outrora. Nasci completo como o nome manda em tua raíz, afinal brotei mesmo bem de perto da raíz podre da árvore da vida. Brotei morto, e me dá orgulho isso. Eu não sou parte da terra dos vivos, e eu tenho orgulho disso. Eu não faço parte dessa podridão asquerosa.
Quero morrer. É uma vontade calma e tranquila da qual eu sempre estive ciente. Agora, contudo, entendo que é essa vontade que me coloca em pé, e foi a perda dessa vontade que me levou ao chão. Aceito hoje que estou morto, e apenas por isso posso me ocupar calmamente de tudo quanto me dê prazer, de qualquer beleza gentil.
Danço. Os pés destróem e eu danço, e não importa que destrua nada desde que tranforme essa fumaça em alguma coisa bonita e desproposital. Nada construo, pois como um lobo tenho apenas pés. Como um lobo nasci completo, e esse anseio por uma cria e por um carinho ou por um toque é tudo fruto da admiração que tenho pela vida. Sou morto, nasci morto, e vendo o direito a vida plena por um pote de lentilhas. Não me importa que não durarão para sempre, desde que esses momentos de quase-vida intercalados me tragam algum prazer.
Esqueci por tempo demais que sou uma máquina romântica e anti-poética. Disse tanto que romanticos morrem aos vinte e um para justificar meu lirismo ignorado, mas morri aos 9 meses. Morri chorando, e por isso sigo chorando. Não sou nada, e só isso é capaz de unificar o que eu sou em algo que faça sentido. Meu mundo é silêncio dançante, é cheiro e sabor, é fala reprimida, é queda do abismo.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
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