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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Vagueando

Paixão, amor, carinho, sexo e o infinito.
Vontade e ideal que sigo,
ou ao menos como me sinto.
Imediatista, hoje eu quero o agora
quando o agora é mais alguém,
quando o agora é o orgasmo,
é o dormir abraçado, é o cigarro
é o vinho, ou o café;
e até mesmo quando o agora é como agora:
é o eu e a tela e é a garoa e até o transito lá fora.
Lobo que vive como lobo não pensa nem chora -
sente e caminha.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

HOPE


Is nothing but the life through a child's eyes.

sábado, 29 de junho de 2013

Reflexo






A melancolia me cai bem
a morte e a solidão também
o meio sorriso
o café amargo
a felicidade em preto-e-branco
e o meu grito sufocado
a espera que percebam
que se muito falo
é porque me calo  .



quinta-feira, 4 de abril de 2013

domingo, 31 de março de 2013

PROCURA-SE


Qualquer coisa simples, que me dê prazer.


domingo, 24 de março de 2013

Tenho essa imagem.

 Eu com meu coração na mão. Não imagine uma coisa luminosa, bonita, ou quente; essa não é bem a imagem que tenho. É algo verdadeiro, palpável. É um coração real e sangrento, de um vermelho escuro, pois está em contato com o ar. É um coração real e sangrento, de batimentos irregulares e espasmos loucos de um músculo que está perdendo todo seu calcio, morrendo.
É algo assim, esse pedaço de carne. Ele está na minha mão. Escorre o sangue pelos meus pulsos, pelo meu antebraço e cotovelo. Pinga e respinga por onde passo e quando me viro. Meus passos, meio mancos, raspam essas gotas de sangue. A imagem não é bonita.
Vou de porta em porta, oferecendo essa coisa fétida às pessoas. Às meninas mais do que às pessoas. Estendo a mão, apertando firme o músculo em espasmo, tentando conter um pouco da sangria. As válvulas semilunares já estão destruídas. A aorta pende morta de um dos lados. Escorre sangue. Arritmia.
Acho que vou morrer. Antes, sei que já morri. Não há muito aqui para mais ninguém, e não há mais ninguém pelo mundo para isso aqui. Como vou lidar com ser sozinho mais uma vez?
Barulho. Um barulho num canto no quarto escuro e levanto o olhar. Num reflexo, olho assustado para a direita. Sempre para a direita. É da direita que veem todos os sons. Tenho medo do escuro de novo. Nada incontrolável, mas depois de tantos anos - onze, talvez doze - olho para os cantos em busca da origem dos sons, das luzes, das vozes. Para os cantos nada; olho para o único canto que meu corpo é capaz de acusar a existencia: para a direita. Para a direita, pois minha esquerda está morta. Não ouve, nem sente.
Como pode isso doer tanto depois de tanto tempo? Isso, isso tudo? A perna manca, o ouvido surdo, o coração párado, o medo do escuro. Como pode isso deixar tanta sequela?
Tenho tanto amor, e tanta necessidade de amor, que não cabe em mim. Tenho tanto ódio que não cabe em mim. O mundo é podre, e cheio de sangue. Fede à carniça. Não tem nada bonito em viver. Sinto que posso me dispor de tudo quanto tenho nesse momento pelo puro interesse do experimento. A morte é o experimento final, e não há necessidade de antecipá-lo ou planejá-lo. Não fosse esse interesse em ser minha própria cobaia talvez já tivesse quebrado.
Mentira. Já quebrei. Parei de funcionar para tudo quanto fui bom, fui útil, fui querido um dia. Virei uma coisa jogada pedindo por algum uso. Talvez isso tudo seja porque minha felicidade é barata e insaciável. Talvez seja sintoma de loucura, ou sintoma de razão. Talvez nem seja nada. Estou tão cheio do nada. Corri tanto do nada por tanto tempo. O nada me alcançou. Não há nada pior do que nada.
Me levantei da cama pra isso, só pra isso. Penso em não publicar o texto. Ando calado por esses dias. Minha necessidade de falar se foi. Dói.
Um banco vazio. Dói.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Seagull

Cheguei a conclusão última de que a beleza é uma propriedade inerente de todas as coisas, em qualquer tipo de feiura ou podridão.

Tinha essa imagem na minha cabeça, com uma mulher, um cachorro, filhos e o cacete. Achei que precisava recuperar isso, mas o vazio acaba tendo uma beleza mais certa do que esse sonho volátil e infantil.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Muletas

Faço da espera meu prato predileto.
Lembro. Esqueço. Me convenço. Há algo em mim de mim mesmo, mas qual é a unidade? Qual a essência minha que não muda?
Não sei onde está o ponto nas retas e curvas incertas do meu coração. Procuro na opinião dos outros a validade dos meus atos. Não sei mais dizer o que quero, nem sei me sentir onde estou.
Procuro o que sou nos espelhos dos olhos de meus amigos e confio em suas palavras, mas me irrito tantas vezes ao ouvir o que sou... Alguma voz além da minha tem o direito de determinar como me sinto?
Vivo um dia depois do outro. Cansado do agora, atormentado pelo depois. Falta-me tempo de novo, sinto que me falta, mas não sinto mais o desespero e a pressa... Ao contrário me arrasto lentamente no meu caminho como se a morte não importasse mais e a vida não tivesse mais sentido. Eu e o fim somos melhores amigos, companheiros na jornada. Talvez já esteja morto, morto com um tiro lírico no meio da testa por passar dos 21 e insistir no verso.
Minhas peças sangrentas se espalham pelo chão da minha cela, solitária. Sou um quebra-cabeça de cabeça rachada ultra-romântico e pálido. Minha imagem não me serve mais - Das passt mir nicht - mas adio sua mudança para o dia em que possa caminhar sobre meus próprios pés (HEUTE?) - sentir o chão. Fim.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

domingo, 18 de novembro de 2012

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Epitáfio

Faço um luto por o que eu sou: Homo sapiens, a pior espécie que já pisou nesse planeta.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Inércia

Que vontade que tenho
de por um cigarro na boca
e matar o meu tédio
com tabaco-remédio
pegar o elevador
saír do térreo
pular do prédio
de braços abertos
sob olhares indiscretos
abraçar o concreto
e também o mistério
curar o meu tédio
com morte-remédio

Há tempos já que escrevi essa poesia. Não olhem assim para mim, não sou um suícida. O que me motivou a publicá-la são acontecimentos bastante alheios ao meu coração, de um Sísifo bastante desconhecido para mim. O fato é que me assusta. Bem-vindos ao mistério.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ataque...

...sempre quando acuada

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ração

É estranho como cães nunca estão tristes ao comer. Cães se lambuzam, fazem barulho, rosnam e mordem a aproximação de pessoas, mas mesmo assim exibem sempre um sorriso de caninos afiados quando comem. A felicidade parece fazer parte do respeito para com a comida, a presa, a caça. Talvez até respeito para com a morte do que se come.

Quisera eu comer como um cão, infelizmente o faço como gente.  Como em pratos de louça branca com garfo e faca, mantenho a coluna ereta, ás vezes - acreditem! - até mesmo tiro o boné. Essa forma de comer me enoja. Pareço assustadoramente civilizado à mesa.

Hoje vi que alguém comia só. Ao contrário dos cães, seres humanos apreciam a companhia, e eu pude reparar que também ao contrário dos cães os seres humanos se sentem tristes. Hoje vi que alguém parecia mergulhado em tristeza enquanto comia.

Não sei onde quero chegar, não me pergunte, mas vejo que não há porque comer tão civilizadamente quando não há em torno de si civilização - pessoas falando, rindo, te olhando e sendo olhadas de volta. Se não há nada disso, ou se nada disso lhe tráz felicidade, então você é só e, sendo só, deveria comer como um cão. Se comesse como um cão seria ainda só, mas talvez fosse feliz. Procuro ser um pouco como um cão, todos os dias da minha vida.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nasci no outono...

E o vento, e as árvores, certamente me soparam algo de depressivo...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Não há morte verdadeira....

"Descansem o meu leito solitário. Na floresta dos homens esquecida,. À sombra de uma cruz , e escrevam nela: - Foi poeta, sonhou e amou na vida." Alvárez de Azevedo


terça-feira, 6 de abril de 2010

Cidade (Paris)

Selva

Por quê há uma certa insistência da humanidade em dizer que somos assim, tão diferentes?


* Imagem da internet

sexta-feira, 2 de abril de 2010