domingo, 2 de dezembro de 2012

Balanço Indiferente

É... Isso aqui virou um diário. Um bife do meu corpo histórico sangrento sobre a mesa da mídia de massa. Claro que a massa me ignora, e não me incomodo com isso, mas ainda assim é público, disponível. Já cheguei a me importar em ter nomes de outrem aqui, ou a isso me fazer lembrar de outrem, mas a história que conto é a minha - Ich bin die Hauptfigur.
Meu tom rebuscado foi por água abaixo, minha maneira infantil de demonstrar interesse se foi. Como um Sansão sem jeito, na falta da mão de uma mulher traidora, cortei eu mesmo minha força e minha historicidade próxima a raiz. Me sinto melhor.
Me sinto melhor e olho para isso - para essa coisa na internet com meu nome em letras garrafais "ÉDOM" - e acho ridículo. Ridículo me expor dessa forma, ridículo ser transparente e vulnerável num mundo de incertezas. Sou, como minha mãe (aquela mãe que não descrevo por manter minha fé longe da minha língua e da minha escrita) transparente e volúvel; transparente, volúvel, fértil, criativo, belo; transparente, volúvel, fértil, criativo, belo e teimoso; e perigoso, e assustador. Há muito a temer por entre as pedras de um rio, e muito a colher ao redor de suas margens. Eis aqui a transparência de minha correnteza, e eu oferto-te, caro leitor, esse meio de saciar-te a sede. Venha e se inclina nessa água indiferente. Meus reflexos e nuances e prismas serão talvez suficientes para um entretenimento barato.
O segredo desconcertante é que esse entretenimento barato é a artéria mais profunda que tenho. Minha superfície, e tua superfície, é o melhor que tenho a oferecer nesse momento.
Por muito tempo acreditei que era como uma orquídea; um belo parasita que não cresce na falta de seiva elaborada. Contudo, essa imagem se foi e se despedaçou em gotas de orvalho, em cachoeiras e torvelinhos d'água. Estive todo esse tempo enraizado nas pedras de minha sabedoria e afogado em minhas próprias turbulências.
Me sinto pronto. Pronto para um futuro incerto. Confesso que não importa muito onde eu quero chegar. Toda a gravidade nau abaixo é favorável. O perigo do rio, ou ao menos o perigo do rio que me tornei, se encontra exatamente em sua vulnerabilidade mansa e chorosa que caminha e carrega todo esse sangue ao mar. O mar - a plenitude - é meu destino inevitável, mas só a água batida pelas pedras é menos densa e não se misturará a tando sal e dor.
No fim voltei a ser o que era, mas um pouco mais consciente talvez. Me exponho para eu mesmo. Me derramo em uma vista comprida, procuro a falha, e tudo o que encontro é a falta. Uma hora há de se encontrar navegadora fiél.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Lá se foi a sua chance...

...que na verdade era a nossa chance. Mas tudo bem, já chega disso, é hora de deixar a neve me levar.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Vivian



Seu silencio todo, além de me dar nervoso, me dá uma certa esperança. Lembro duma vez que você ficou brava comigo, e uma semana depois me mandou uma super mensagem enorme dizendo porque... Eu não sei porque você não fala comigo, embora saiba que eu te irritei e te desrespeitei bastante. Tive meus erros - ENORMES. O que eu acho é que pra mim não importa, pro meu coração não importa e não faz diferença. Pode ser que você não me queira mais - pode ser, eu não faço idéia porque você cala ao invés de falar - mas tenho esperança de receber um e-mail gigante dizendo tudo que você sente como aconteceu daquela vez.


Talvez eu tenha quebrado coisa demais dessa vez pra conseguir consertar... Mas a gente também consertou muita coisa quebrada juntos, não? Talvez só não seja o momento certo de estar junto (nunca demos muito certo quando separados fisicamente, né?), mas quero poder te olhar nos olhos denovo... Se possível nos EUA ainda (não posso pedir que venha me ver aqui, mas minha perna vai ficar boa uma hora, e então vou pedir para poder te ver), senão quando nos vermos no Brasil.

Não ligo de estar queimando meu filme com isso. Não é humilhação nenhuma vir dizer o que eu sinto, e mesmo assim me sujeitar ao que você sente: uma relação (seja de amor ou de amizade) é feita de duas pessoas. O que eu não quero é ir dormir conformado, é aceitar seu silêncio dando em troca o meu silêncio e pensar que não fiz o suficiente para lutar pelo o que eu sinto. O que eu sinto? A coisa mais pura que já senti na vida por alguém que não seja da minha família, sinto uma vontade de estar junto e de ouvir incontrolável. Não é mais seu momento de ter alguém pra estar junto, né?

Desculpas também por fazer isso assim, publicamente, mas ai eu tenho certeza que você vai ler (ou espero que leia... uma mensagem tão grande assim no seu mural). Tenho certeza que não disse nenhuma mentira, nada injusto, e nada pra te machucar.

Eu vou ao céu e ao inferno por você, se você quiser. E agora eu entendo que também posso te deixar livre e não ir a lugar nenhum por você, se você quiser. Só o que vai me deixar triste é se eu não puder fazer mais nada POR você... mas é uma possibilidade.

Minha cabeça ta a mil, e meu coração a um milhão. Acho que você sente algo por mim sim, porque ficamos juntos muito tempo para uma coisa unilateral, e amor não muda conforme a gente muda. Dito isso, não tenho certeza, você é quem precisa me dizer.

Você mudou muito, e ainda vai mudar muito, mas você é linda... linda daquela beleza que a gente conversou na nossa primeiríssima conversa no MSN, linda daquela beleza que não passa com os anos e que nada altera. Eu disse que já amava seu novo você... e é verdade. Você decide o que fazer com esse amor, contudo, eu não posso decidir por você... E me desculpa pelo inconveniente, mas enquanto você deixar a porta aberta, por menor que seja a fresta, eu vou estar lá.

Te amo demais. O que realmente queria é que você me deixasse ser seu namorado mais uma vez... talvez não aconteça. Nesse caso só quero ser seu amigo, seu bom amigo, sem previlégio especial nenhum além do de não perder a confiança, o respeito e o carinho que a gente tinha um pelo outro. Se também não puder ser seu amigo, então me desculpe por mais essa falha, mas dai vou ser nada... E você sabe como o nada me dá muito medo.

domingo, 18 de novembro de 2012

BreakUp


Se dor de osso quebrado
doesse mais que coração machucado
além da tibia e da fíbula
racharia o crânio e a clavícula
as costelas e a bacia
e pularia na piscina de neve
da praia que não existe 
do lado de fora da minha janela.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

"Eu sou é homem",


                             disse Bentinho quando realizou suas vontades romanticas infantis. Eu, como inseguro Bentinho, repito na minha cabeça por esses dias "eu sou é homem, eu sou é homem". Repito isso não na realização de minha sexualidade, como o tal personagem, mas sim na realização da minha coragem e da minha não auto-suficiencia emocional.
Homem não chora. Não é que eu não esteja chorando em desespero por dentro diante de tantas situações que passo, mas não choro como criança. Percebo que sou homem, face a face com meus problemas, sozinho. Minhas lágrimas como sempre são inevitáveis, mas minha atitude e minhas decisões e minha resigniação também.
Do alto da minha dependencia, me sinto independente. Sou independente do pensamento alheio e essa independencia só é plena quando percebo, embasbacado, que jamais deixarei de depender. Tenho apoio, preciso confiar, mas no fim estou sozinho nas minhas decisões.
Eu sou é homem.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

UNIDADE



Sou o que
sou.
Simplesmente o que
sou.
Se sou, sou o tempo
todo.
Não me importa o lugar.
Não me importa o outro.