terça-feira, 30 de outubro de 2012

"Eu sou é homem",


                             disse Bentinho quando realizou suas vontades romanticas infantis. Eu, como inseguro Bentinho, repito na minha cabeça por esses dias "eu sou é homem, eu sou é homem". Repito isso não na realização de minha sexualidade, como o tal personagem, mas sim na realização da minha coragem e da minha não auto-suficiencia emocional.
Homem não chora. Não é que eu não esteja chorando em desespero por dentro diante de tantas situações que passo, mas não choro como criança. Percebo que sou homem, face a face com meus problemas, sozinho. Minhas lágrimas como sempre são inevitáveis, mas minha atitude e minhas decisões e minha resigniação também.
Do alto da minha dependencia, me sinto independente. Sou independente do pensamento alheio e essa independencia só é plena quando percebo, embasbacado, que jamais deixarei de depender. Tenho apoio, preciso confiar, mas no fim estou sozinho nas minhas decisões.
Eu sou é homem.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

UNIDADE



Sou o que
sou.
Simplesmente o que
sou.
Se sou, sou o tempo
todo.
Não me importa o lugar.
Não me importa o outro.

domingo, 16 de setembro de 2012

Quem sou?

Imagem, gosto, sabor? Não há mais em mim memórias de mim mesmo. Vasculho a cabeça e não encontro nada além de brancos, pretos, cinzas, retalhos. Não encontro nada de significante.
Sou mesmo como um lobo, sem memórias, mas cheio dos hábitos e dos instintos, das reações exageradas. O brilho da minha estrela se perdeu com o tempo. Um ser encantador, já me disseram um dia... não sei onde foi parar essa minha qualidade única. Acho que abdiquei dela para vender minha alma a ciência e para evitar o destino final de toda alma encantadora, que é a solidão. Valeu de quê? Sou só e sequer sou cientista. Sou criança a queimar as insignificantes formigas da minha espontaneidade com a lupa da razão.
Chrona. Traçei uma linha na areia e evito ultrapassa-la. Pulo todas as perguntas que meu cérebro atira na minha cara e me esquivo, chorando, de toda essa incerteza. Perdoem a confusão. Sou confuso em todos os sentidos e simplesmente não sei como agir em situação nenhuma.
Não a vejo como uma forma de salvação. E ao meu país também não vejo como casa aconchegante. Antes é tudo substância saborosa e sem cor do tipo que persiste no meu sangue através das horas. As quero de volta.
Me afastei da matilha afim de me conhecer, e no lugar da calmaria achei o espanto. É um teste. Estou caçando o nada como troféu e estandarte de tudo o que eu posso.
Pudesse voltar atrás ia querer ser ao invés de poder. É complicado. Eu vou me tornar um ser encantador de novo, um lobo de verdade, uma estrela do céu de outono. O problema é que preciso regurgitar muito do meu próprio sangue no caminho. O problema das estrelas é que elas não são capazes de ver e mensurar seu próprio brilho.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Reflexo - Essa é uma entrada de diário

Cabelos compridos, lisos e pretos. Pele branca, mas ás vezes morena quase dourada. Magro. Rosto fino, criança. Cabeça baixa de franja caindo sobre os olhos, roupas sem importancia. Nada de hobbys, além da leitura e do interesse. Um ser que nasceu com uma lente de aumento imbutida em sua visão infantil, um quê de exagero da forma próprio do adulto depressivo e da criança brilhante.
Essa descrição física e mental é minha, sobre eu mesmo. Acredito que se encaixe muito bem ao que eu era. Uma criança sensível e madura, acho que ninguém diria o contrário. Meus textos, de uma forma ou de outra, nasceram desse drama e desse exagero.
Não nego hoje que sou sim dado aos negativos, a escuridão, e ao não mais do que ao sim. Contudo, esse exagero que assumo e assumi em tudo que produzo, em tudo que escrevo, será que tem ainda lugar no reflexo do que eu realmente me tornei?
Me pergunto se ainda cabe em mim esse tom, ou se já se tornou um invólucro apertado. O curioso é minha escrita ainda egoísta, ainda minha para mim, mesmo quando não estou ou sou mais essa coisa de dentro para mais dentro ainda.
Eu era alguém que gostava da morte. Gostava sim, me intrigava com ela, e a considerava bela. Ainda considero, mas a maturidade me tirou um pouco desse gosto, ou dessa curiosidade. Minto, antes a plenitude me tirou um pouco deste gosto do que a maturidade em si. Ser feliz no decorrer da coisa faz as proporções do fim dela serem bem menores do que quando não se é feliz. Sobretudo descobri na vida de uma forma ampla, e não apenas na minha vida, tantos mistérios para me ocupar e para me empolgar que o pós-vida perdeu a importância. Acho que consegui, finalmente, ser um pouco mais como uma árvore.
A questão é: e agora? O que devo fazer com isso?
Vou seguir para mais um exílio. Não estou empolgado, antes eu sinto que isso é uma coisa meio necessária. Mentiria se dissesse que não sei mais quem eu sou. Na verdade eu sei o que sou, mas sou tanto e de tantas formas diferentes que não consigo mais me ver no espelho. Há algo discordante entre o que penso, o que expresso, o que pareço... E sinto que preciso ajustar tudo isso. Não sei fazer isso se não for sozinho. Sozinho ou recrutando a ajuda da neve.
Quero fazer mais exercícios. Meu corpo se tornou algo meio mole demais para uma mente que antes era também um pouco mais astuta. Quero afiar minha mente e minha lingua como costumavam ser afiadas. Fui deixando tanto de mim no caminho.
Quero voltar a tirar fotos.
Quero aprender a escrever poemas novamente, mas aprender mesmo, do começo. Meu estilo evoluiu para algo meio sem forma, e quero resgatar isso; não exatamente retornar a origem. Não há nada para mim na origem de tudo.
Quero voltar a desenhar. Pois é, já desenhei um pouco um dia.
Quero voltar a me apaixonar pelo o que eu sou. Perdi essa paixão junto com a habilidade de ver meu próprio reflexo.
Perdi o prazer nisso e naquilo, e segui fazendo todos os issos e aquilos como se fossem um ritual. Rituais não condizem com a minha personalidade e foram esses então abandonados aos poucos.
Definitivamente eu preciso de um tempo. Escrever isso será que ajuda?
Como é para vocês? Crescer para vocês, é como isso? As pessoas mudam assim, conscientes da mudança, como eu? Ou vão em sinergia para onde quer que o vento as leve?
Quero voltar a perguntar. Sim, já cheguei a perguntar muitas coisas um dia.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ilha



Isolei-me numa ilha. Em volta dela construí, molécula a molécula, os sete mares usando toda a minha falta de força de vontade.

Queria eu me proteger do tempo e ignorar o espaço, mas ainda me brotam os pêlos da barba a zombar dessa tentativa. Dia após dia, como um relógio maldito ao qual se dá corda, sou obrigado ao esforço do barbear e me corto... Me lavo na água saloubra, a única que permiti que chegasse até mim.
Os metros, que tentei afogar com tanta força, se juntam em motins de quilometros e me preparam suas investidas diárias. É difícil estar longe do que se é, não saber o que se é, ou medir-se e comedir-se no tamanho correto.

Logo os ventos vão soprar mais uma vez, espero que em direção favorável... Mas cabe o dilema do gato: para onde eu quero ir? Qualquer caminho é favorável quando não se tem caminho nenhum.

Question...

...I just wonder if one day I might feel complete again.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Chaos

Today my desk is a mess. It is full of papers, drawings, tickets, bills, books, clothes, crayons, gadgets, souls... It is full of my countless souls. Souls I have created to myself and left in stand by, beside my memories. Full of my dreams, my choices, my thoughts, but not my feelings.
I'm not sure whether I still have some feeling. I have a will. A will to conquer knowledge, to conquer happiness, to conquer myself and my weird psychology, to conquer love. I guess this is too much of a thing to be conquered.