domingo, 31 de agosto de 2014

sábado, 30 de agosto de 2014

De Ressaca

* fechou os olhos e construiu o diálogo mentalmente *
- Me dá uma segunda chance?
- Você tem certeza? - perguntava naquele tom mais-que-familiar.
- Tenho.
- Igual tinha da última vez? - perguntava num outro tom que nunca tinha usado com ele: grosseiro, áspero e com gosto de ferrugem; um tom que só essa ilusão mental dele mesmo usaria, mas que não correspondia a realidade de sua amiga.
- Eu não tinha certeza da última vez.


AH! A dificuldade de admitir. Eu não tinha certeza da última vez.

Foi tudo como o mar de uma praia de tombo. Eram as águas perfeitas, convidativas. Por dias e dias molharam-se nossos pés pela maré, afundando no lodo da margem. Depois a canela, os joelhos. E TOMBO. Dá pra morrer afogado de amor? Corri até a areia. Revisitar a terra firme e dar outra chance ao sol escaldante. Sol queima, cansa, pesa nos olhos e na cabeça.

- Você é um lírico exagerado, cara.
- Ah, cala a boca. Você é igual. Você sou eu.

Meu medo é que seja só uma vontade; só um teco de carência. Meu medo maior é que seja artifício do córtex frontal calculando seu 2 + 2 social e ditando: casal. Perfeito. Mas outra parte qualquer de tecido nervoso, talvez o nódulo sinoatrial, manda pulsos descontrolados por todo lado pedindo mais, mais, mais. Qual a chance de acertar a velocidade e o compasso se tiver uma segunda vez?

Sobre o destino: acreditei por muito tempo que foi tudo sempre fruto do destino, mas agora parando para pensar... Eu que escolhi O Retrato. Eu que escrevi um verso em cada página do livro, eu que tramei a coisa toda. Eu que tentei uma segunda vez, eu que busquei os anéis e os mandei gravar. Eu construí cada bloco de felicidade onde me refugiei, mesmo que quando inapropriada.
Percebo que quero construir mais uma vez. Porque não? Ou é loucura? No meio dessa confusão o melhor é deixar quieto... Machucar alguém mais uma vez para que?

- Cara, você não foi legal com ela.
- É, eu não fui.

Como que realmente se sentiu? Como que quem estava do meu lado realmente se sentiu naquele dia? Me amava? É justo eu perguntar se amava? Ama? Foi de verdade?

Hoje andando ao lado dos carros estacionados no caminho pra casa cheguei a pensar que estava pronto. Pronto. Uma bagunça pronta pra quê? É uma conclusão risível e irreal. É preciso estar pronto pra qualquer coisa que o valha nessa vida?

Ela não tem os olhos de cigana obliqua e dissimulada, mas tem um gênio... Ah! Um gênio de ressaca.


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Monster in the Closet

I'm the abomination.
Today it is me, the monster's salvation
that never comes as it should.
As for now I cry,
as you would,
but have no tears, I...
I have no tears to try.
I'm the real abomination.
I don't even feel what you might.
Don't even recognize your fight.
It is your struggle, baby,
not mine,
not this time.
I told ya,
I'm the abomination.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CANSADO

D E

T U D O

O U

N A D A,

D O

T U D O

E

N A D A.


domingo, 27 de julho de 2014

NEEDLE

Perdido na selva de espinhos
me perguntando se isso
é carinho ou amor
é raiva ou rancor
é tédio ou só dor.


sábado, 26 de julho de 2014

Dark matter

Faith is the strong believe that anyone who made you suffer is going to suffer in double, even though you are not working for it and may never come to know of such suffering.

- by a lost soul

sábado, 19 de julho de 2014

Demi sec

Sabe...

Eu quero alguém que não me ache estúpido por todas as coisas que já fiz por uma mulher.
Eu quero alguém que dê uma chance ao estranho,
ao colorido preto-e-branco, e ao balanço
da minha música surda deslocada;
e também àquele balanço
pendurado na árvore que caiu com um raio.

Eu quero alguém que capture minha imagem com a pupila
como se fosse o diafragma de uma Polaroid antiga.
Quero alguém que acredite em segundas-chances e que não as jogue fora;
alguém que saiba recompensar um tempo perdido, ou um tempo esperado,
com um batimento cardíaco acelerado
verdadeira e profundamente apaixonado.

A meia-noite, que falta que uma taça de vinho não faz.